Subversa

“Vergonha” e “Desesperança” | Poemas de Fernando Maroja [CORRENTEZAS]

 

 

VERGONHA                                                    

Um sábio me disse

Que toda a distinção entre homem e deserto

Reside na vergonha.

 

Nossas lágrimas escorrem na fronteira

Entre o visível e o invisível,

Mas o deserto chora lágrimas de areia,

Disse-me o sábio.

 


 

DESESPERANÇA

“Só os olhos são ainda capazes de soltar um grito” (René Char)

 

Sempre que chove

E o frio está preso dentro do quarto e do ser

Congelando toda a esperança do mundo

No final do poço

Sinto que a desesperança se tornou onipresente

E que Deus está indo embora

Diminuindo no horizonte e na distância

Desaparecendo no meu coração e no teu

De olhos espremidos e reduzidos a pedaços de vidro

Que jamais se abrem, jamais florescem

Mas ainda se afirmam, pelas suas lágrimas.

 


Fernando Maroja Silveira | Nasceu em Belém do Pará e escreveu os livros “Cinzas” (Editora Paka-Tatu) e “O escravo do vazio” (Editora Penalux). Publicou em diversas revistas literárias (Zunai, Subversa, Mallarmargens, Gueto etc.) e está entre os poetas presentes na antologia “O vento continua, todavia” (Editora Kotter). Os poemas “Vergonha” e “Desesperança” estão presentes no mais recente Vênus de Milo em Ferentari (Editora Penalux, 2020).

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