Subversa

[Resenha] Por Geraldo Lavigne de Lemos

 

E quando a Subversa é resenhada? Convidamos Geraldo Lavigne de Lemos para uma leitura comentada a respeito do número 05, Volume 13 – Dezembro de 2020. O resultado do convite, o qual Geraldo aceitou gentilmente, você pode conferir abaixo.


 

O último número da Revista Subversa em 2020 cumpriu o desafio de, em 11 textos, narrar o ano que nos entregou a desconhecida realidade pós-pandemia. Vivenciamos a solidão de um tempo sem título, com o nosso espectro sensível pulsante para compreender a severidade do mundo destruído sob um fato monotrópico e inexorável. Levados ao limite de nós mesmos, entre verdades e deep fake, atravessamos o pórtico de nossas moradas para iniciarmos uma jornada sem prazo ao aforismo conhece-te a ti mesmo.

Fomos obrigados a baixar os nossos fardos e a encará-los por semanas no átrio da vida. Ao cabo, esse mundo distópico do presente é a nossa própria Cidade ruína interior. A rotina até aqui dava conta de ocultar o enredo que cruamente tornou-se visível ao pararmos. Em qual viela encontraremos a nossa infância? Estarão na vizinhança também as reminiscências de  avó e os temores febris? essas balas atiradas para o alto ora caem sobre nós, e retornam maiores, mais contundentes, como Grãos de embotamento arriscando as nossas certezas. Aberto o jogo, a Resistência nos redimiu entre o gatilho pretérito e o temerário futuro descortinado. E a Canção de Lenine nos despertou para o novo velho mundo. O mesmo mundo, agora com uma doença viral que desembaçou as vidraças da realidade, expôs a fria névoa que encobria a injustiça social e nossas vidas apáticas.

Passo a passo, deixaremos a nossa Pegada em busca da reconstrução interior para, então, podermos edificar o mundo a partir dos escombros de uma batalha que jamais terminou. O vírus, letal e trágico, desvelou uma sociedade agonizante. Se, quando libertos desse mal que nos interpela, cruzarmos o pórtico em direção às ruas com um pensamento renovado, encetaremos tempos melhores para todos, com as alvíssaras da estrofe que encerra o número 5: Posso encontrar-me / Encontrar-te / Encontrar os outros.

A arte tem sido o respiro enquanto permanecemos imersos nesses tempos de pandemia, ultraconservadorismo, pós-verdade, fake news. Vemos no volume 13, nº 5, da Revista Subversa a reunião de prosa e poesia com estéticas contemporâneas e de autores situados em diversas regiões do Brasil e de Portugal. A ordem dos textos compõe uma narrativa preciosamente montada para provocar no leitor a percepção da crise atual. Estamos todos expostos ao extremo. Os textos selecionados transitam na fronteira dos sentimentos que todos sentimos ao cerrar os olhos na madrugada. Sabendo que a arte salva, consumir a Revista Subversa é medida que se impõe de imediato. Convidado está o leitor a ingressar pelas portas abertas por Tânia Ardito, Fabíola Weykamp e Morgana Rech e chegar ao ambiente amplo, arejado e com paredes fortes descrito no editorial.


Geraldo Lavigne de Lemos é advogado e poeta, membro da Academia de Letras de Ilhéus, autor de seis livros. Publicou literatura nas revistas Revista da Academia de Letras da Bahia, Diversos Afins, Mallarmargens, Subversa, InComunidade, Ser MulherArte e Acrobata, nos jornais Diário de Ilhéus (Ilhéus/BA), Fuxico (Feira de Santana/BA) e A Gazeta (Vitória/ES) e no blogue LiteraturaBR.

Sobre o Autor

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