Subversa

[Resenha] O ovo e a gênese da criação do mundo | por Daniel Tomaz Wachowicz

 

E quando a Subversa é resenhada? Convidamos Daniel Tomaz Wachowicz para uma leitura comentada a respeito do número 01, Volume 13 – Agosto de 2020. O resultado do convite, o qual Daniel aceitou gentilmente, você pode conferir abaixo 🙂


Pensar na simbologia do ovo reflete todo um lado místico da ideia do germe da criação. Tudo está lá desde o princípio à espera de sua primeira manifestação, que seria o romper da casca e que culmina com o nascimento.

Esse ovo, ao ser rompido, faz nascer uma pluralidade de coisas e se associarmos ao contexto artístico, as várias possibilidades de formas cuja potência já foi planejada há longo prazo, bem antes da materialização da obra.

Quando observamos as obras literárias presentes neste volume, vemos a manifestação daquela gênese da criação, ao imaginarmos todas as etapas da criação dos textos e por quanto tempo ficaram dentro da casca, até conseguirem rompê-la para se manifestarem em todo seu esplendor da forma.

É claro que o texto literário possibilita uma ideia de lacuna a sempre ser preenchida pela ação do leitor, afinal, o ovo para ser ovo não deve ser visto, sempre fugindo de nós. Assim, podemos aproximar a obra de Clarisse Lispector  “O ovo e a galinha” com essa ideia do texto literário, que por sua amplitude sempre deixa algo inexplorado, um eterno campo interpretativo.

As obras escolhidas, assim como a referência à Clarice nos possibilitam esse mergulho em um campo inesgotável. Os contos e poemas presentes nesta edição, por sua pluralidade, que vai desde referências do cotidiano e do dia a dia, até pensamentos existenciais mais complexos, formam esse mundo repleto de possibilidades que a linguagem artística carrega, a espera da leitura atenta que ouse penetrar em cada palavra escolhida em busca de uma possível interação que nunca se esgote.


Daniel Wachowicz nasceu em Taboão da Serra (por ele chamada de Taboão das Trevas), é formado em Letras e atua como professor do estado de São Paulo.
Publicou os livros Convite ao abismo (Multifoco, 2014), As Musas estão esmagadas no asfalto (Benfazeja, 2016), Cosmopeles (plaquete independente, 2017), Tempos de penhasco (Patuá, 2018) e a plaquete X (Primata, 2018), Masmorra (Patuá, 2019) e Poemas da peste (independente, 2020).

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