Subversa

Quarentena: a hora de cinquenta minutos no divã do quarto


sem título (1987), Ulrich Rückriem


O temor em ficar só
e o desejo de estar só
levam-me a reconsiderar às noites pelos dias:
a que devo chamar tal processo?

Esquivo-me do presente com as duas mãos
como se estivesse, de fato como desejo,
eliminando o passado necessário
na medida exata
sem perder a si
sem perder a dor prevalente em minha essência.
A que devo chamar tal mudança?

Meu humor segue o mesmo
amarrado e irônico
estridente em risada
catastrófico na autoflagelação
a quem devo perdoar a um só tempo?

O abandono claro como as águas
límpidas de um rio inexplorado pelo homem
ou o abuso da ingenuidade diante
da escuridão provocada por um apagão
em noite de tempestade?

Qual nome dar a satisfação freudiana
de ter reconsiderado minha vida
e meus temores
subir à mesa, dançar e gargalhar como louca
para a graça psicanalítica ter sido objetal em sucesso teórico posto em prática?

Com qual menção honrosa
essa dor intensa em viver
será condecorada?

A que insucesso acadêmico e literário,
ao mesmo tempo,
daremos meu nome?


FABÍOLA WEYKAMP tem seu primeiro livro de poemas “Resenhas da solidão – um livro de poesia e dor cotidiana”, publicado pela Editora LiteraCidade, Belém/PA, 2015; obra ganhadora do Prêmio LiteraCidade Jovem, 2014. É colunista da Revista Subversa e acaba de publicar “Ensaio sobre a Solidão”, pela Editora Penalux. | fabiweykamp@yahoo.com.br | Clique aqui para ler mais textos da Fabíola.

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