Subversa

PREENCHIMENTO DO CORPO | Fabíola Weykamp

 

Ainda não há para onde ir

e, no entanto, o corpo não entende

“Learning Structures”, 1975, Robert Cumming.

À noite, como acontece com os filhotes de cães

e com os filhos de nossas irmãs,

os músculos resolvem que é hora de esticar

e, querendo esticar dentro de um lugar

apertado de movimento-necessário,

obriga o corpo ao deslocamento descontrolado

espasmos de corrida

 

Antes de dormir, geralmente, quando pequenos

as crianças e os cães correm pela casa

atiram-se do sofá para cama

última energia restante

esticando músculos dentro do lugar

antes adormecido

 

Dentro da cidade fechada

o país de bandeiras e fitas

[vamos supor que acontece, de fato

que ultrapassa o campo imagético

e atinge a camada do bom senso alheio

da coisa urgente e concreta da não-morte]

dentro da vastidão do isolamento de estruturas

que cruzam articulações

arrastar os móveis, à noite

também tem sido apelo dos músculos retraídos

:

Imploram para não enfraquecer

não esquecerem-se deles

logo agora que há espaço de sobra

para correr nas avenidas sem trânsito

 

Logo agora que caminhar e

não esbarrar no abdômen conhecido

abre precedência para nova narrativa,

ainda não há para onde ir

 

Mas o corpo só quer

 


FABÍOLA WEYKAMP tem livros de poesia publicados e, atualmente, é colunista e editora convidada da Revista Subversa.

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