Subversa

NUMA MANHÃ DE OUTUBRO | Pedro Belo Clara

 

Qualquer olhar mais distraído

julgaria um rabirruivo

vagueando entre sombras.

Que presença madrugadora

toma os portões da casa branca?

 

Dir-se-ia perdida em ânsias de saber

a canção com que os melros

saudariam o sol nascente,

talvez em expectativa de descobrir

qual o reflexo da luz matinal

nos globos que alaranjam o jardim.

 

Inquietação por correspondência,

somente.

 

E nisto a jovem se consome,

entre rápidas vigias à rua funda

e tamborilar de dedos no muro,

esquecida dos melros que saltitam,

da luz que escorre dos laranjais,

do chá que se esfuma

na brisa já de marítimo odor.

 

Entre os ruídos do anseio

o coração aconselha:

 

            Amor não conhece apego.


PEDRO BELO CLARA nasceu em Lisboa, Portugal. Um ocasional preletor de sessões literárias, atualmente é colaborador e colunista de diversas publicações literárias portuguesas e brasileiras. O seu último trabalho foi dado aos prelos sob a epígrafe de “Lydia” (2018). É o autor dos blogues Recortes do Real, Uma Luz a Oriente e The beating of a celtic hear.

 

Sobre o Autor

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