Subversa

JARDIM DE DEZEMBRO | Pedro Belo Clara

 

Dia de silêncios e de sol.

 

O céu estende-se na largura

de mar sem onda que o agite.

 

Longe, um pardal canta

como se a primavera florisse

duas vezes num só ano.

 

Pequenas felosas em demanda

dum lanche improvisado

ajudam uma jovem árvore

a despir-se das primeiras folhagens.

 

Num repente, a frieza da aragem

puxa a gola aos casacos.

 

O pardal emudece no poiso,

as felosas decidem-se

por outro ramo onde lanchar

num sossego de asa,

– mas não se retrai o céu,

intangível na chegada

de duas nuvens lacrimosas.

 

A voz do inverno iminente

traz das lonjuras

um poema de neve e gelo.

 


PEDRO BELO CLARA nasceu em Lisboa, Portugal. Um ocasional preletor de sessões literárias, atualmente é colaborador e colunista de diversas publicações literárias portuguesas e brasileiras. O seu último trabalho foi dado aos prelos sob a epígrafe de “Lydia” (2018). É o autor dos blogues Recortes do Real, Uma Luz a Oriente e The beating of a celtic hear.

Sobre o Autor

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