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FILHO E PAI CONVERSAM SOBRE POESIA | Pedro Belo Clara

 

Só assim pode ser,

meu pai,

só assim lhe merece o nome:

poesia é a ideia

elevada a sol do coração,

e o sentimento apenas

lhe confere brilho e calor.

É em suas linhas

que se encontra o homem:

na sua voz a voz de muitos,

no seu depurar a raiz

dos tormentos maiores.

Meu filho:

cada momento é o poema,

e esse poema

é verso dum outro

em eterna composição,

sem início que se conheça

ou fim que se adivinhe.

 

Com o vagar dos trevos,

à terra devolvia-se

a água de todos os gelos.

 

Enquanto tanto era dito,

só o malmequer se apercebeu

como o saltitar da felosa

num ramo em rebento

era a rima perfeita

para a tarde cintilando

ao sol de inverno.


PEDRO BELO CLARA nasceu em Lisboa, Portugal. Um ocasional preletor de sessões literárias, atualmente é colaborador e colunista de diversas publicações literárias portuguesas e brasileiras. O seu último trabalho foi dado aos prelos sob a epígrafe de “Lydia” (2018). É o autor dos blogues Recortes do Real, Uma Luz a Oriente e The beating of a celtic hear.

Sobre o Autor

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