Subversa

A união faz a ponte | Eliana Machado

 

A porta se abre. Uma mão rígida entra no cômodo procurando o interruptor. Uma luz amarela aparece no meio da sala. As cortinas haviam sido deixadas abertas para que o pássaro engaiolado pudesse tomar o sol da manhã e entreter-se com o possível voo de um congênere pela vizinhança. Boné e chaves são deixados na mesinha de centro. Diante dela uma única poltrona de cor bege, com manchas escuras sobre os braços. Aquelas marcas deixavam supor que alguém havia passado ali muitas horas sentado pensando, observando a vida do outro lado da janela, ou talvez do lado de dentro.

Os pés se arrastam até o armário perto da porta de entrada. As mãos ressecadas, de unhas irregulares e impregnadas de pó de madeira, retiram o casaco, pendurando-o no cabide do armário. O corpo fatigado senta-se na poltrona, respira e prende a respiração,curvando-se para tirar os sapatos. Botinas, na verdade. Extrai a primeira, liberando o pé inchado e congelado pelo trabalho sobre a neve. Respira fundo, toma fôlego e volta a inclinar-se em busca do segundo pé. Homem e botinas inertes. Ouve-se então o piar do passarinho, sem dúvida incomodado pela luz inesperada. O corpo se levanta e se aproxima da gaiola encostada à janela. Nenhuma palavra, nem mesmo um assobio. Era incapaz de dizer bom-dia em qualquer que fosse a linguagem. Nele tudo era silêncio. Tampouco sabia sorrir. Um pano preto instaura definitivamente a noite sobre a gaiola.

A massa humana se dirige até a cozinha. A mesma mão pesada e lenta tateia o interruptor. Outra luz amarela. Uma olhadela rápida nos arredores, onde tudo era desolação: uma lata de sardinhas aberta em cujo interior se viam as espinhas em estado de decomposição, um copo de leite coalhado, que mais parecia tinta de pintar parede ressecada. Sobre a pia jaziam uns quantos pratos sujos e restos de comida. No canto direito, uma velha banana servia de morada a uma microcolônia de formigas. Um sem-fim de copos descartáveis, contendo marcas de café, e tocos de charutos da prestigiosa marca cubana Cohiba estavam espalhados em cima da mesa. No anel de um dos charutos lia-se Cohiba Behike.

A queimação no estômago lhe lembra que não havia ingerido nenhum alimento sólido em todo o dia. Com semblante descontraído, abre a porta da geladeira. A paisagem é desértica: uma caixa para seis ovos com apenas um ovo; na porta, uma garrafa de champanhe Dom Ruinart com a seguinte inscrição na etiqueta: Blanc de blancs. Decide fazer uma omelete. Busca nos armários algum ingrediente suscetível de transformar o seu jantar em grande ceia. Na prateleira, exposta, a última lata de milho-verde do pássaro.
Como o refrão diz que pássaro come pouco, não teve escrúpulos em pegar a lata, ainda porque ele só havia tomado três cafés pretos durante a longa jornada de inverno. O champanhe permaneceu na porta da geladeira provavelmente à espera de uma ocasião especial. Qual poderia ser?

Saboreia o manjar maquinalmente, como se o seu espírito há muito o houvesse abandonado. Levanta-se da mesa sem retirar o prato e a frigideira. Apaga a luz e vai para a poltrona, que também lhe servia de cama. Recosta-se e espera as luzes das casas em frente da sua se apagarem para poder observar o brilho das longínquas estrelas no céu escuro.

As luzes artificiais se extinguem, e as estrelas parecem cintilar com maior energia, pelo menos para os seus olhos míopes. Estica o braço e busca uma pequena caixa debaixo da poltrona. Abre-a com indolência, retira uma trança de cabelo ruivo, leva-a até as narinas, exumando o cheiro do passado por intermináveis segundos. Beija-a, fechando os olhos. Logo, deposita-a com carinho na coxa direita. Naquele instante, dir-se-ia que um suspiro atravessara o cômodo como um raio. Não. Era apenas o fruto da imaginação.
Mergulha novamente a mão na caixinha de madeira e retira papel de seda para enrolar cigarro. Uma das únicas companhias femininas que tinha chamava-se Maria. Sem pressa, desagrega um cigarro, recupera um pouco de tabaco e de erva odorosa, misturando-os.
Estira o papel, deitando cuidadosamente a preparação, como quem deita a amante na cama. Vai enrolando o cigarro com gestos precisos e ritmados. Termina-o lambendo a sedapor uma das bordas. Busca a caixa de fósforos, abre-a e constata que só lhe resta um fósforo, uma única tentativa para acender o cigarro. Não poderia falhar. Estoico, como
passara a ser nos últimos anos, seu rosto não demonstra nenhuma expressão, mantém-se impassível diante de mais um desafio. Era melhor que a noite terminasse o quanto antes; havia sido um dia longo, de poucas novidades e nenhuma transição. Pega o cigarro, colocao na boca e tenta a sorte. Risca o fósforo. Um chupão no cigarro e o fósforo se apaga. Sem dúvida por culpa do ar frio do ambiente. Completamente só. O silêncio da noite seria sua companhia. Lá fora, a neve da manhã havia vestido as árvores à sua guisa, cobrindoqualquer vestígio de vida nova. Soberana, havia caído em minúsculos flocos maravilhosos.
O que fazer? Levantar-se e acender o cigarro no fogão da cozinha? E se queimasse a barba na tentativa? Era uma possibilidade. Nenhum gesto. Uma vez confortavelmente sentado e digerindo, era difícil pedir ao corpo que se levantasse, que caminhasse…

Olha para fora da janela e fixa-se nos astros celestes. Uma imagem nasce no seu pensamento: o calor das estrelas longínquas, que, embora mortas, lhe enviavam o seu brilho. “Brilho queima?”, perguntou-se. Antes eram bolas de fogo, e uma única fagulha, por mínima que fosse, poderia acender o seu cigarro. Bonitas de ver, temíveis porque
implacáveis. Decide fechar as cortinas. Fechara definitivamente a única abertura que lhe permitia viajar por outras dimensões. “Será mesmo?”, perguntou-se novamente. Põe-se a refletir, não no passado que desejava apagar da sua memória, mas no futuro. Quantos anos lhe restavam de vida? E para fazer o quê? Quais eram as probabilidades de que um acontecimento súbito viesse a mudar o rumo da sua biografia? Em meio a esses pensamentos, vai adormecendo. Abandona-se ao cansaço do dia, do frio da noite e da vida rotineira que levava desde a sua viuvez. Então começa a sonhar.

Parte 2

Num país distante, durante uma tarde de cálido outono, uma silhueta de cabelos cacheados caminhava pela floresta. Andava devagar, como quem conhece a terra onde pisa. De repente parou e, atraída pela beleza de uma flor, agachou-se para cheirá-la. Seus cachos cor de fogo tocaram o chão. Uma joaninha que passava pelo local viu uma nuvem de estranhas lianas interditando a sua passagem. Não hesitou e mudou sua marcha do sentido horizontal para o vertical, subindo pelos cachos espiralados da hospedeira, convencida de que eles eram uma nova espécie de cipó. A dona da cabeleira não percebeu que, ao erguer-se, após ter sentido o perfume da flor, estava carregando na sua guedelha um hóspede inesperado. Prosseguiu seu destino vagarosamente como se meditasse, enquanto ia observando o voo de pássaros solitários, o ruído de folhas secas que ia pisando e o labor das formigas-cortadeiras, que, em fila indiana, transportavam até a colônia fragmentos cortados das folhas mais tenras da floresta. A joaninha continuava sua ascensão, ignorando seu ponto de chegada. Ambas seguiam seu rumo, porém cada uma
com um objetivo diferente.

A cabeleira ruiva se deteve diante de uma pequena cabana da qual saía uma fumaça branca da chaminé. Passou a mão pelos cabelos, ajeitando a franja atrás da orelha. Nesse momento a joaninha viu uns dedos enormes vindo em sua direção e compreendeu que não estava subindo por nenhuma liana, e sim por cabelos humanos. Entrou em pânico. Encontrava-se pertinho da orelha da menina e dali mesmo gritou: “Um humano!”. Atordoada pelo grito que ressoava na sua orelha, a cabeleira ruiva começou a rodopiar, levantando as mãos para o alto. Na sequência, ela também deu um grito que ecoou pela mata inteira: “Um fantasma!”. A floresta despertou. Um bando de pássaros, incomodados pelo barulho, dispersou-se num frenesi estrondoso. As ramagens das árvores balançavam desordenadamente, cutias, pacas e tatus brancos e pretos corriam sem saber para onde ir. Coelhos saltavam por todos os lados, como se estivessem fugindo de ferozes cães de caça. Toda a floresta se movia como enlouquecida pela dança da menina dos cachos de fogo. Enquanto durou o eco, agitaram-se as folhas e deslocaram-se não somente grandes animais como também insetos. Uma nuvem de gafanhotos saltou dos ramos das árvores em direção da clareira que havia mais à frente.

Enquanto isso, a cabana estava envolta num sono profundo. A fumaça da chaminé poderia ser confundida com a simples respiração de um animal fabuloso dormindo a sesta. A porta não se abrira. Nenhuma voz. Nenhum sinal de vida.

Pouco a pouco a tensão foi baixando, o lugar foi retornando à normalidade original e então um silêncio sepulcral se abateu sobre a floresta. Enquanto a joaninha apavorada continuava agarrada no seu cabelo, a menina retomou o caminho em direção da cabana, sem procurar saber quem havia gritado na sua orelha. Seguramente sua prioridade era outra.

Aproximou-se da porta e tocou três vezes. O número três é um número importante nas histórias maravilhosas. Pense, por exemplo, nos três porquinhos. Ah, esses safadinhos! Lembro-me do que me dizia a minha avó atualizando e arrematando essa história:

O lobo infeliz
não comeu os três porquinhos;
transformou-se em bolsa.

Parte 3

De todos os modos, a fábula original sempre vai me servir. Eu nunca vou querer terum chalé de madeira na floresta. Para mim, casa precisa ser de pedra e cimento, tendo ou não o Lobo Mau como vizinho. Quem me garante que, no futuro, ninguém vai mudar novamente o fim dessa fábula? “Seguro morreu de velho”, concluiu.

— Já cheguei. Aqui estou eu. Venho só, trazendo uns pasteizinhos para o meu querido vovozinho. Estou entrando.

Ao entrar, viu tudo no escuro. Enfiou a mão no bolso da capa e retirou uma vela. Do outro bolso, um isqueiro. Acendeu a vela e reconheceu a sala. Pôs a vela no candelabro e varreu o cômodo com olhos tranquilos. Invocou então uma presença:

— Ó Senhor da Floresta, ó pai de todas as criaturas, venho em peregrinação e invoco sua presença para que me esclareça uma questão.

Nesse momento, a vela se excitou no candelabro, aumentando a chama e clareando toda a sala. De repente, como num passe de mágica, a chama se congelou, os ponteiros do relógio de parede pararam e o olhar da menina se imobilizou. Nenhum movimento no recinto. A vida parecia ter feito uma pausa. Então, uma figura vestida de azul e branco foi tomando forma no meio da sala. Primeiro surgiram uns pés descalços e gordinhos, semiencobertos por calças jeans, logo os joelhos, a cintura, uma barriga saliente, o peito, vestido com uma camiseta branca, e, finalmente, um rosto começou a surgir. Era como se muitos rostos quisessem aparecer e fossem empurrados e substituídos por outros. Eram rostos de jovens, de velhos e bebês, de todas as cores e etnias. Um deles, enfim, ganhou forma. Era um homem de aparência grisalha. A imagem estava envolta em uma luz.

— Você me chamou, e acudi. A rima não era necessária. As rimas foram banidas há quase um século. Aproveito para lhe dizer que os quitutes que trouxe tampouco fazem parte desta cena. Bom, qual é a urgência que me arranca do silêncio eterno?

— Pai de todas as criaturas, necessito ajuda para salvar a nossa floresta. Há máquinas poderosas que em um só dia derrubam milhares de árvores centenárias… 2,6 bilhões de árvores já foram sacrificadas desde a nossa última assembleia. Sinto-me completamente desatualizada, desarmada para continuar com a minha missão. Eles já não
têm medo de mim. Chegam a rir quando eu lhes envio ruídos esquizofrênicos à noite. É normal; viram tantos filmes de terror que meu trabalho virou café-pequeno. O Saci-Pererê se aposentou e o Macunaíma desertou, preferindo a cidade. Eis-me só e condenada a ver todos os dias, a cada pôr do sol, a luminosidade penetrar na nossa mata através de uma nova clareira, feita por mãos humanas. Venho pedir sua intervenção.

— Ó filha da mata verde e robusta, nada posso fazer para interromper isso. Pusemos o grão, sopramos as folhas e velamos pelas copas cerradas onde as orquídeas encontraram morada. Tudo nasce, floresce e perece. Esse é o ciclo normal também neste planeta. Faça as suas malas. Ponho fim ao seu contrato de trabalho a termo certo. Nada mais pode fazer.

— Mas, Pai da Floresta, por favor, eu lhe imploro. O senhor não pode nos abandonar desta maneira. Deve haver uma solução!

— Ei, não faça essa cara de Chapeuzinho Vermelho que encontrou o Lobo Mau. Veja o lado bom das coisas: você está livre! Regozije-se. Você parte, mas leva longas férias pagas! Viaje para Paris, compre uma bolsa Chanel, tome um café no Fouquet’s1 , visite o Louvre para espairecer. Parece que neste momento há a exposição Année 1, le paradis sur terre, do pintor italiano Michelangelo Pistoletto2.

— O quê? Eu não estou entendendo nada.

— Preste bastante atenção: quando não há nenhuma solução, é porque na verdade não há nenhum problema. Foi mais ou menos isso que li ou ouvi não sei bem ao certo em que lugar. Deve ter sido uma frase de um filósofo, talvez o mesmo que disse que a harmonia é mais importante do que a verdade. Divirta-se. Adeusinho!

— Mas… Mas…

Parte 4

E tudo ficou em silêncio novamente. A menina ficou sozinha, de pé, no meio da sala. Cabisbaixa, esvaziou todas as lágrimas de seu corpo. Com ela chorou a joaninha, que havia escutado do Pai da Floresta o trágico destino que pairava sobre seu hábitat.

Sentaram-se ambas, a menina da cabeleira ruiva e a joaninha. Ficaram imóveis e em silêncio durante um período indeterminado, pensando no desamparo que acabavam de receber como herança. Quando o silêncio se fez insuportável, a joaninha deu um segundo grito, mas desta vez com total consciência do que estava fazendo.

— Ei, você!
— Quem está aí?
— Aí não! Aqui!
— Onde você está? Eu não estou vendo você.
— Normal; com tanto cabelo nos olhos não poderia ver mesmo.
— Onde você está?
— Grudadinha na sua franja. Sou uma joaninha.
— Ah! Foi você quem gritou na minha orelha lá fora, na floresta?
— Sim, eu mesma.
— E o que está fazendo no meu cabelo?
— Deixa pra lá. O mais importante é que eu vi e ouvi tudo o que aconteceu. E acho que devemos fazer algo. Nós não podemos entregar os pontos; afinal, somos nós que vivemos nesta floresta e não essas bizarras entidades etéreas que nos visitam uma vez a cada cem anos.
— E o que você, uma joaninha, pensa fazer?
— Ainda não sei. Mas sei que não podemos ficar de braços cruzados.
— Você andou vendo muitos documentários do Nicolas Hulot3 e tenho certeza de que Avatar não sai da sua cabeça. Como uma menina e uma joaninha poderiam salvar a Amazônia? Essas histórias só existem em contos de fadas.
— Também li alguns quando era criança. E sei que, se os contos existem, é porque o ser humano sentiu a necessidade de passar ensinamentos por intermédio deles. Os contos têm muito de verdade.
— Estou plenamente de acordo. Mas o que podemos fazer?
— Mobilizar cada árvore, cada fruta, cada flor, cada inseto, cada bicho que vive aqui.
— Por favor, não me venha com bobagens. Os bichos não pensam, não podem tomar parte de tal empreitada!
— Você está me ofendendo.
— Desculpe, você é uma exceção.
— Agora está ofendendo a sapiência. Bom, deixa pra lá. A natureza vive e sobrevive há milhares de anos, quando a humanidade ainda nem sonhava em existir. Somos nós, os “bichos”, que a cuidamos e a tornamos sustentável. Não destruímos além daquilo que pode ser regenerado. Quanto aos humanos… Já deve ter lido que o ser humano é o único animal que mata e destrói por puro prazer.
— Eu sei, mas, por favor, não me inclua nessa casta. Não tenho culpa do que fizeram e fazem os demais.
— Certo. Porém, se você não fizer nada para mudar essa situação, será exatamente como se você aprovasse o que está ocorrendo.
— Mas é justamente por isso que vim aqui procurar ajuda!
— Pois é, mas parece ser que o seu ex-patrão está defendendo os interesses de
outra empresa. E você foi demitida.
— Não importa. Vou montar a minha própria MPE.
— Eme o quê?
— Micro e pequena empresa.
— Ah! E o que é que a sua empresazinha vai produzir? Posso saber?
— Sonhos.
— Sonhos? Não entendo.
— Veja bem. Se de dia eu não consigo convencê-los de que a floresta deve ser respeitada e protegida, então vou passar a trabalhar de noite.
— Vai fazer serão? Quanta dedicação! Mas… ainda não entendi como esse seu trabalhinho noturno vai funcionar na prática.
— Muito simples. Enquanto os humanos dormem, aparecerei em sonhos funcionando como uma ponte,  restabelecendo a simbiose entre o consciente e o inconsciente, fazendo-os lembrar de onde vieram. Você sabe, o corpo humano é uma biblioteca; todas as aventuras que o ser humano viveu desde os seus primórdios estão
presentes nos seus genes. Eu só vou despertar aquela parte adormecida, aquela época em que ele vivia em perfeita harmonia com a natureza, em vez de parasitá-la como faz agora.
Um canto de pássaro, provavelmente despertado pelos primeiros clarões do dia que se infiltravam pelas aberturas das cortinas da sala, acorda o homem na poltrona. Abre os olhos, ainda confuso, sem saber se o canto que ouvira pertencia ao sonho ou à realidade. Lembra-se da floresta, da joaninha, da menina dos cachos e do senhor da floresta. Sorri. Levanta-se, descobre a gaiola do pássaro e assobia-lhe um bom-dia em linguagem aviária. Abre as cortinas. Calça as botinas. Veste o casaco e sai da casa.

Uma vez fora, pega o machado encostado na porta, vai até os fundos da propriedade e o enterra. Depois, caminha até a porta da casa da vizinha e bate três vezes. Uma mulher sai para recebê-lo. Trocam algumas palavras, e ela entra novamente em casa, voltando rapidamente com uma lata de milho-verde nas mãos e um sorriso no rosto. Despedem-se.

O homem volta para casa. Vai até a cozinha e prepara um café, levando para a sala a xícara e a lata de milho-verde. Abre a lata e retira alguns grãos, que deposita no poleiro  da gaiola. Após degustar o café, senta-se na poltrona e pega um bloco de notas e umacaneta na mesinha de centro. Então, começa a escrever:

A união faz a ponte

A porta se abre…

Fim
***
NOTAS
1. Bar e restaurante, trata-se de um dos comércios mais famosos da avenida ChampsElysées, em Paris, e é muito apreciado por artistas, principalmente aqueles ligados ao
mundo cinematográfico.
2. Artista contemporâneo (1933-), pintor e escultor. Importante representante do grupo da
Arte Povera italiana.
3. Ambientalista, fotojornalista e produtor de filmes francês, Nicolas Hulot (1955-) está de
tal forma engajado politicamente em questões ecológicas que criou uma fundação que leva
seu nome.


Eliana Machado | São Paulo/Mônaco | meugema@hotmail.com

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