Subversa

Bom Café | Tânia Ardito (São Paulo – Porto)

1404229102i6rvpApós a minha terceira tentativa de acertar o ponto do café granulado e instantâneo, pensei que esta é, talvez, uma das muitas artes que eu ainda não domino: a arte de fazer um bom café. E, refletindo sobre o caso, percebo que estou longe de dominar qualquer das modalidades artísticas de se obter o precioso líquido. Devo confessar que ainda não testei todos os meus dotes, garantindo uma certa esperança de salvação, penso até em adquirir daquelas máquinas de café com cápsulas – dizem ser a maneira mais fácil – é só colocar a quantidade de água recomendada, encaixar a cápsula na máquina e pronto! Sirva-se de um café digno!

Da variante em pó há uma forma tradicional de utilizar um coador do tempo da vovó, isto é, coador de pano ou de papel, sendo para mim uma tarefa ainda mais difícil, principalmente ao tentar testar a habilidade de fazer “a olho”, ou fica fraco ou forte, ou coloquei muita água ou pouca e para o caso de adoçar o café que ainda está no bule a tarefa parece ainda ser mais complicada, logo percebo que o café virou algo parecido com o melaço. Quando quero complicar ainda mais a minha vida utilizo a cafeteira italiana dividida em três partes, na primeira coloca-se a água, a segunda parte é destinada ao pó das arábias e a parte de cima reservada ao líquido derivado da mistura de café mais água; uma opção que mostra-se muito da infeliz, já que o resultado é constantemente o meu fogão ser dominado pela cor marrom, além de certa vez, por um milagre alquímico, ter obtido um autêntico café turco desses em que é deixada a borra para ler o destino.

 Entretanto, o meu maior desafio diário está na minha luta em transformar o tal café com que comecei a minha pequena dissertação em algo decente, tudo bem não precisa ser um café de barista desses ganhadores de prêmios internacionais, mas já estaria muito bom se pelo menos o meu nariz não vira-se para o lado a cada gole, ou mesmo verter todo o conteúdo da xícara pela pia, pois não havia condições de salvamento. Desta forma, conformo-me e confesso que declino do trabalho de melhorar a minha técnica, só para me entregar a um delicioso hábito adquirido desde que cheguei em terras lusitanas: ir a um café, sentar, pedir um curto e ficar observando a vida a passar.

 


 

Tânia Ardito (São Paulo, Brasil) vive na cidade do Porto, é co-fundadora e editora do Canal Subversa.

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