Subversa

XXY | Felipe G. A. Moreira


Nesse carnaval,
saio com o rosto de Dylan Klebal, com o de Erico Harros––

desbotár-tratar-lo-e-rei

Quando não sou nenhuma poeta.

Meu nome próprio é
Eu Queria Dizer Qualquer Outra Coisa que Eu Não Estou Dizendo.
Meu nome próprio é
A Garota que não é uma Garota.
Meu nome próprio é
Eu Queria Estar Fazendo Qualquer Outra Coisa que Eu Não Estou Fazendo.

Poetas foram substituídos por assessores de imprensa.
Entre eles: há excessiva falta de higiene.

Eu sou A MENINA RODAMOÍNHO.
Eu sou A garota de leite Quick de morango.

Eu sou aquele que é O Homem.
Me chame de F.G.A.M.

Caríssima Sociedade das Anônymos Comstrangedoras,
é tempo de colocarmos nosso bloco na rua.

Careço de um cheiro de vocês.

Eis o nosso domínio: A Vontade de Eu Não Sei Que Inferno Eu Quero.

Que nos ama
tanto quanto ela ama qualquer outra coisa qualquer ––o gato, a neve,
e os cacos de vidro estraçalhados das lâmpadas que faziam charme de Sol.

Eu sou O Terrorista.
Não sou nenhuma terrorista.

Eu sou aquela que escuta aliens.
Me chame de A Ufóloga.

Anônimoz Comstranjedoraz do mundo, uni-vos!
Contra os poetas! Contra o metamodernismo!

É tempo de termos tempo.


FELIPE G. A. MOREIRA nasceu em 1984 no Rio de Janeiro. Publicou a peça poética, Parque (2008, Revista Zunái online) e o livro de poemas, Por uma estética do constrangimento (2013, ed. Oito e Meio). No momento, trabalha no que espera tornar seu novo livro de poemas, Sequestro público da senhorita saúde (ainda sem editora). Ele também trabalha como professor de filosofia da Universidade de Miami e na sua dissertação de doutorado sobre metafísica, Disputas: a incomensurável grandeza das micro-guerras.

Leia os artigos anteriores do Felipe AQUI.

felipegustavomoreira@yahoo.com.br | Site pessoal.

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