Subversa

Tríptico | A. Mimura (Lisboa, Portugal)

Ilustração: Isabela Jerônimo


I – Proêmino da génese

Eis como termina:
chegar onde a palavra dá leite e mel
onde o seu úbere
nos pertence sem que o reclamemos
onde a palavra prepúcio e precipício
fodem
ser uma só: ou uma mil: ou cruz de joão mendes: ou Mefistófeles;
pois, são todas:
a harpa, da palavra húmus, da palavra: Poema.


II – Salmo

 

Quem ergue a estrutura de um salmo_

ficção que o poeta tece

sem nenhum esquema pré-definido

afora os Deuses e as Musas

que o sustentam

usitando o seu belo dorso

gracioso, sardento e curvado,

para guiar a rude pena
do maldito compositor

como se versasse num planisfério

de escrita celestial_?


III – Ordem marcial poética

 

Quando a vida era um milagre,

e, a nossa falange direita,

era composta,

exclusivamente,

por Deuses e hordas de Mongóis,

que cavalgavam,

indómitos e ávidos,

pela ordem

azul
imperial

Minha

do sangue Lótus negro
poético

de cada frase!

 A. MIMURA uma vez que as biografias mentem desagradavelmente; sendo bastante mais interessante dizer mais com menos. Contemplei com simpatia, admiração e algum temor o homem, que apenas desembarcado de perigosa viagem, se alistou imediatamente numa outra, como se a terra lhe queimasse os pés ou como se o coração seu procurasse quietude para a uma paixão violenta e terminada de forma abrupta, num qualquer porto, numa qualquer costa distante, num qualquer outro amor, num qualquer outro exílio, assim me foi apresentado o escritor, Monsieur, A. Miyajima.

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