Subversa

(sem título) | Gabriel Bustilho


penso em botar uma bala na cabeça
equilibrar o metal ao pensamento
conviver grão a grão com a pólvora
confundi-la aos neurônios
fundir ferro e ego ouvir
do gatilho o sussurro atentamente
a palavra o conselho a jura
de amor penso na respiração
forçosamente me obrigo a
respirar
sentir o ar na narina sentir
o pulmão no limite da implosão
sentir todo o esforço de um corpo
que quer se manter vivo
obrigatoriamente se mantém

penso no branco
no ansiolítico nos dias normais na falta
que me faz uma camisa de força que me abrace
que me aqueça que me esqueça dos dias frios
dos dias banais de ansiolítico nos dias normais
de banalidade de violência de rotina de carpete
de pensamento dialético de beijos ao telefone
e adeuses pouco dramáticos penso que o silêncio
é um buraco de toupeira um poema é uma mangueira
afogando a toupeira no seu buraco-
silêncio-
de-toupeira que resolve dilemas com cara-ou-coroa
penso em botar uma bala na boca
e seguir o dia com hálito fresco


Gabriel Bustilho | Rio de Janeiro, Brasil | gabrielbustilho@gmail.com

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