Subversa

Salgada Saudade | Gusthavo Roxo


Salgada saudade

De ter a pele tocada

De ser a presença

Que cala um vazio

Preenchendo o momento

Com completo silêncio

 

Salgada saudade

de ouvir palavras ao ouvido

Antes de um mergulho abrupto

no azul sem fim

 

Quão leve é o sorriso

De quem arrisca e sabe viver

Quão leve é a certeza

De sentir palavras que não precisam ser repetidas

 

Aperto no peito

é não ter o Mar

muito menos Amar

Aperto no peito

também é se conhecer

e não saber para onde ir

 

Na infância o Mar não importava

Tudo que eu queria era ficar em casa

Hoje, tudo o que eu quero

é mergulhar na água salgada

sentir o soar das conchas

Na origem de todo sal

 

Lembrar de dias felizes e ter a certeza

que no amanhã outros mais aguardam

Como as ondas que continuam a chegar

Mesmo quando não estou a olhar

a saudade vai passar

e o agora, logo vai ser uma memória.

 

As feridas ardem

A saudade vira eternidade

Aperto no peito

é mergulhar e não saber de si

Aperto no peito

é mergulhar e encontrar seu fim

 

Salgada saudade

De sentir a ausência

Da areia que gruda no corpo

Do sol que muda a pele

Da água que cobre os sonhos

Salgada saudade

de se assustar

com os perigos de amar

Algo tão grande como o Mar.


Gusthavo Roxo | Rio de Janeiro | gusthavogoncalvesroxo@gmail.com

Sobre o Autor

Deixe uma resposta

Seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios estão sinalizados *

Entre em Contato

contato.subversa@gmail.com
Brasil: (+21) 98116 9177
Portugal: (+351) 91861 8367