Subversa

Roubo qualificado de Lisle a Debussy | Sofia A. Carvalho


Como se um detalhe desaparecesse

ao longe

sobre as pessoas e o roubasse,

como quando era criança

ao ver uma vitrina de gomas

ou quando subia aos telhados

com um segredo fechado nas mãos

feito de açúcar e pão.

 

Ia sempre pela manhã,

defendendo o aspecto

sagrado da desobediência

e da sua legítima alegria –

durante a subida furtiva

o vento e o antegozo

passando entre os passos mudos

e o desmedido, quais marcas

reflectidas ora fazendo avançar

ora desautorizando o corpo.

 

Ninguém daquela altura,

o céu cada vez mais perto,

escaninho, ninguém sabia

da liberdade simples

a transpor a terra

que não era deste mundo

ainda.

 

Ainda os tectos altos e o cheiro doce,

excedendo-os,

como se a rapariga dos cabelos de linho.


Sofia A. Carvalho |  Lisboa, Portugal | apsarasamadhi@gmail.com

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