Subversa

Rio de Janeiro | Felipe G. A. Moreira


Rodamundo todo da madrugada do Leblon até a Lapa:
propriedade dos sinhozinhos de engenho.

De modo que nós pedimos esse chope das 3 das 4 da manhã
de terça quarta quinta no quiosque de Copacabana
com o charme de quem espanca o negro no tronco.

Mas isso não significa.
Que a sinhazinha amorzinha minha não está sofrendo horrores nas butiques de Ipanema.

Nós estamos, sim, sofrendo horrores
ao som do indie rock da Casa da Matriz de segunda.

Horrores!

Eu falo no sentido que a burrice do ser pseudo-filósofo-poeta-artista-ator-professor…
é triste.

Olhe no fundo dos olhos da marra deles, moleque.

E –– entre nós –– ando com uma grande vontade de morrer
feito quem estupra a negrinha na senzala.

De todo modo eu devo estar voltando pra Paris no próximo mês.
Ou eu devo ter voltado de Londres mês passado.

E eu não me importo com o que você pensa a não ser que seja sobre mim.
Não se trata de defender a racionalidade, moleque.
Carece sim de lutar contra a burrice.
Mas quase tudo que eu falo também é burrice.
Eu sou forcluído ao Rio de Janeiro.
Mas esse sonho…
de limpar a burrice do cu de minh’alma
como quem pisa rachando o crânio do flamenguista anti-higiênico.
Ah, esse sonho contra o baixo astral
vem do fundo do taxi voltando pra casa grande em forma de.

Eu sou sinhozinho de engenho.
Eu não sou sinhozinho de engenho.
Eu sou sinhozinho de engenho.
Eu não sou sinhozinho de engenho…


Felipe G. A. Moreira

 

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