Subversa

I, II e III | Helder Magalhães

 

I

 

De nada vale a palavra

Se não partir pedra

E romper os muros

Que impedem de alcançar o outro

Se tudo ruir

Seja a palavra a ponte

Braços e mãos

Sustentando

O último fôlego de humanidade

De nada vale a palavra

Se não partir pedra

E das pedras mais pequenas

Se estabelecer o caminho a percorrer

Ao encontro do que estiver mais além

Dentro.

 

 

 

 

 

II

 

Fiz tanta força

Que o coração partiu

Diz uma mulher

Que transforma pó

Em objectos

[um dia regressarão ao pó]

Penso em quantas vezes

Parti

Em quantas fiquei

E houve quem partisse

Partir é um lugar

Ficar outro

O coração

Essa porcelana fina

Vai lascando

Por vezes parte

Entre partidas

E chegadas

Vou aprendendo

A arte dos bocados

Unir cacos

Pra voltar a partir.

 

III

 

Tenho malmequeres, se ainda os quiseres

Tenho gerberas, se é por mim que esperas

Tenho girassóis e livros de cobóis cheios de duelos

Tenho rosas e grosas de prosas

Tenho lírios e milhões de delírios contigo

Tenho dálias e didascálias para te dizer

Tenho cravos e canto uns oitavos desafinado

Tenho flores e dores de todas as cores quando aqui

Fores.


Helder Magalhães | Vizela, Portugal| Licenciado em Gestão Bancária. Presidente da Associação Cultural Avicella. Autor de alguns livros de poesia e literatura infanto-juvenil. Acredita que a pedra dá flor.

Sobre o Autor

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