Subversa

Poema de verão | Daniel Costa


Ando nas ruas no fim de dezembro
Sofro todo o calor
E tudo em mim me move a contar o quanto te gosto ao verão

Sinto o calor
O céu completamente azul e a luz completamente branca
E tudo em mim me estranha a dizer
– Em contrário –
O quanto o verão é maior em você

E, é claro, é um exagero dar às coisas esses termos porque as estações são enormes e envolvem os continentes do hemisfério Sul e os continentes do hemisfério Norte e você, que é só uma mulher, o que envolve com a envergadura dos seus braços?

É um exagero
Eu atravesso dezembro perto do fim
Em algum lugar
Você dirige um carro
E o verão é uma intuição governando esse lado do mundo
As folhagens
As floradas
A janela das festas
O começo da noite
O calor que atravessa a sola dos meus sapatos e o vento fumegante que, eu sei, é só um vento, mas me envolve como se dissesse que poderia suspender o meu corpo entre a face da terra e uma festa no céu
Se apenas lhe bastasse um motivo
E a chuva.


Daniel Costa | Campinas, Brasil | danieloncosta@gmail.com

 

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