Subversa

Plexo Solar | Isadora Lobo

 

Arde a vela ao ler as cartas

olhos olheiras de sombra de luz

amarela, que é como que ao mesmo tempo

brilho de sol e febre

 

Falo do peito aberto,

Solar, mareado

Esse das travessias

de uma vida inteira

 

Do estômago

matriz resultante de sentir

e surpreender-se desarmado

quando cede

 

Falo enquanto a vela

(a tremular na carne)

uma clareira a cintilar por dentro

 

Um lento marisco a descer pela garganta

e o corpo quente, o corpo mole

tatuado de um sol sem fim

 

Seguido de vinho e arrastados gestos

descendo arde, conforme o corpo

 

Vai abrindo, e aos trancados assusta.

 

Tudo isso ao ler as cartas

e os olhos

e a vela

a garganta queimando

as mãos respirando

e o corpo caindo

num abismo amarelo

 

E é por isso que quando se encontraram os olhos

por um milésimo de segundo Deus suspendeu o tempo

dando luz a uma zona vazia

Limítrofe.

entre a inspiração e a expiração.

 

Um par de lembranças, flashes, memórias

vidas minhas e também de outros

no tempo ou fora dele

de viagens, Oceanos.

 

As crianças no mar

seus ombros ardendo

nem uma nuvem no céu

 

O que é o que é

um pontinho amarelo no meio da gente?

 

E fora do Tempo,

uma onda grande demais para poder existir

te engolindo, e acordar assustado

com gosto de água salgada na boca

os pés afundando na areia

a cada onda

 

E num relance novamente o olho

me olhando

no quarto amarelo, e as cartas no chão

Imóveis

 

Assim será

o Infinito no Instante

aos que tiverem a coragem de permiti-lo

 

E voltar dele será como acordar de manhã.

 


Isadora Lobo | Brasília, Brasil | https://www.instagram.com/idrlobo/

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