Subversa

Ouve | Yuri Claro (Santo Antônio da Platina, PR, Brasil)

Ilustração: A. Mimura

Encosta tua cabeça

na úmida relva

e escuta o barulho mudo do silêncio

das coisas que morrem sem saber que morrem

e nada de si.

Ouve atento

o tropel das formigas na densa selva

de um jardim mundano

onde há somente ordinário a ti

e tenta sentir, pois tenta e já estas

há tanto tempo com a cabeça deitada na terra

sente então

a marcha incessante

das formigas através do que parece

um infinito sem lei, mas somente a elas

Deixa então

o rizoma do teu céfalo enraizar temporariamente

nessa lama que tu de meu agrado deitas

sem bem saber razão a nada disso

(fazes isso tão querido,)

e por fim ouve o vazio do que morre e ninguém vê

das mil coisas sem importância a nada

que acabam incessantemente num começar de todo

insólito

na vida eterna que mora no seio da morte

e na morte passageira que não passa

de um presságio da vida.

 


YURI CLARO tem 20 anos (apesar de às vezes esquecer a idade, o tempo passa rápido), é estudante do quarto ano de Letras/inglês na UENP. Não fez coisas notáveis, mas tem impressão de um dia talvez faça, pode ser megalomania.

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