Subversa

[op. 28 no. 4] | Bianca Camargo

 

hoje de manhã, li kandinsky

um prelúdio azedo

e senti vertigem

 

li experiências sensoriais e câmeras sem luz

vedadas do mundo perceptivo

em direção a um mundo interno

transcendental em sua imanência da mente

duração, momento, explosão

 

 

hoje de manhã, li kandinsky

pareceu um segundo enquanto

a vertigem me pôs a escrever

 

a destruição

a ruína

a reconstrução de si

 

giros, voltas e suspensões

 

(entre parênteses)

 

hoje de manhã, ouvi uma voz que diz:

escrever é riscar lacunas

preencher vazios e velar ausências

a presença do imaginário

em reparo

inconstâncias inconscientes

 

esse poema era verde em seu começo

até o amarelar do medo

cicatrizar rosáceo

lacrimosa

queimaduras e roxos

da cor do luto amargo

de um réquiem em mim menor


Bianca Camargo de Lima | São Paulo, Brasil | é paulistana, bacharela em Filosofia e mestranda em Filosofia pela PUC-RS. | bilimacamargo@gmail.com

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