Subversa

O XYZ do problema | Gringo Carioca


Era uma vez um rapaz que tinha um problema. Ele tinha muitos problemas. Múltiplos, diversos, vários problemas. Estava cheio de problemas. Problemas para resolver. Inclusive, só arrumava problema. Problemas sérios. Problemas diários. Do dia-a-dia. Não tinha solução. Pois não. Tão logo fez uma resolução. Ia buscar alguma solução. Procurar se curar do problema. Solucionar o problema. De vez. Ao invés de ter outros problemas. Novos problemas. Se encontrou com um mestre zen. E lhe falava dos problemas. Problemas pessoais. Problemas sociais. Problemas ambientais. Problemas políticos. Problemas econômicos. Problemas financeiros. Problemas de trabalho. Problemas de família. Problemas de relacionamento. Ele via problema em tudo. Que problema! E o mestre zen dizia: não havia problemas. Só havia soluções. Ponto. Que bom. Mas havia um problema. O problema não se resolvia. O problema persistia. O problema era problemático. Qual era o problema? O problema eram os problemas sem fim. Ele pensou que o problema eram os outros. Mas o problema era outro. Chegou à conclusão de que era ele mesmo o problema. O problema todo. Mas não. Isso seria um dilema, não seria uma solução. Enfim. Ele teria que recomeçar. Do nada. Do zero. Desde o início. Problematizar o problema. Até chegar ao X da questão. Reencontrou o referido mestre preferido. E dessa vez lhe relatava não os seus problemas, mas as suas questões. E o velho mestre lhe dizia novamente: não havia problemas. Porém, se havia qualquer problema, era ele que resolvia. Hein? Problema resolvido. Pronto. Resolveu focar. Concentrar. Meditar. Até se iluminar também. Mas ainda vivia no escuro. A vida era difícil, e dura. Só dava problema. E a morte era certa. Que situação…. Que assim fosse. Assim seria. Sem problemas. Qual seria, afinal, o grande problema? Não era nada! Era nada não. Ele finalmente percebeu, então, que os problemas, de fato, não eram o problema. Que o problema, realmente, não era a questão. Era apenas uma mera ilusão. Que desilusão. Era, na verdade, o caminho para a solução. Os problemas existiam para serem resolvidos. E resolvido, o rapaz viveu feliz para sempre. Com os seus problemas.


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