Subversa

O tronco | Isabela Sancho


Tem o pescoço
tão grosso
quanto sua voz
e foi ferida.

As portas da farmácia
se fecham.
Ela passa
o corte aberto no vidro.

— Fique com meu sangue, está cheio de aids.
Ela arfa, não respira.
Ela respinga
o naco da veia.

Eu também sou uma porta.
Ela me olha e diagnostica
— Coitada dessa,
é feia.


ISABELA SANCHO | São Paulo, Brasil | www.belasancho.com

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