Subversa

Nove Pontes | Gusthavo Gonçalves Roxo


Na cidade industrial

onde as férias são coletivas

gente comum

caminha pela vida

As fábricas ditam o tempo

que servem aos apitos até dizer chega

 

Tudo fecha em janeiro

Quando há janeiro

gente comum

aos montes rumam à praia

esvaziando a cidade

encantando-se como turistas

alimentando outras rotinas

a memória não parece importar

tudo sempre foi assim

sempre será

 

Nada mudou

Além de partes dos edifícios

reformados e alterados

pelas inundações

pelos ciclones

pelos ventos

pelos uivos

Da saudade terrena

de um vale sem construções

 

os mesmos caminhos se fazem

as mesmas ruas são tomadas

os nomes mudam

os produtos se alteram

hoje novas toalhas são feitas

na fábrica que antigamente só fazia pano de prato

mudaram o rótulo da cerveja

foi fechada a fábrica de cigarro

substituída por uma que faz janelas

sobem prédios ao redor da velha cidade

precisa-se de visão

precisa-se de vidro

para ver a transformação

de um lugar que segue o ritmo da própria produção.


Gusthavo Gonçalves Roxo | Rio de Janeiro, Brasil |  nascido no outono de 1996 é Carioca. Escritor pela vida, Museólogo pela Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro, atualmente é Mestrando em Arqueologia no Museu Nacional/UFRJ. | gusthavogoncalvesroxo@gmail.com

 

Sobre o Autor

Deixe uma resposta

Seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios estão sinalizados *

Entre em Contato

contato.subversa@gmail.com
Brasil: (+21) 98116 9177
Portugal: (+351) 91861 8367