Subversa

Monotrópico | Júlio Valentim Barbosa Neto


A pressão atmosférica esmaga meu corpo.
A pressão dos meus pensamentos esmaga meu coração.
E nesses momentos, de sobrevida, eu entendo
Que o coração não foi feito pra doer.

O desfoque no olhar,
A dificuldade em compreender duas linhas de texto,
A morte da vontade de me expressar.
Quanto pesa a gravidade?

Talvez se eu parasse de girar,
Pra tentar acompanhar a rotação da terra,
Eu conseguiria categorizar
Cada pensamento que me joga

Em uma participação mística com o planeta,
Em que eu sou barro, grama e chuva;
Em que eu sou sol, concreto e nuvem;
Em que eu sou só eu.

O núcleo quente da ferve.
O meu magnetismo só me atrai coisas ruins
E, orbitado por pesadelos, eu fecho meus olhos
Pra tentar não enxergar os meus satélites naturais.

Mas como me desprender do sol e cair?
Como ignorar o buraco negro gigante no centro de tudo?
Como aguentar respirar e ouvir, por obrigação,
O movimento das placas tectônicas em meus olhos?


Júlio Valentim Barbosa Neto |  Currais Novos,Brasil |

 

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