Subversa

Medir pela poesia o seu modo de ver: sobre o “EstrAbismo”, de Eduard Traste e Ramon Carlos (Mr. Oculus)


por Revista Subversa

(Morgana Rech e Tânia Ardito)

Recebemos recentemente, para leitura, o livro de poesia “EstrAbismo” (Ed. Viseu, 2018), escrito conjuntamente por Ramon Carlos e Eduard Traste, autores de Florianópolis, SC.

Na capa, você vê aquelas letras e símbolos a que alguém se submete a ler quando quer saber o quanto consegue ver bem a realidade; qual o grau de distorção que pratica sobre as regulagens das imagens do mundo. Livro adentro, os poemas parecem ter sido feitos a modo desta ferramenta métrico-perceptiva: o deslocamento de pontos (mais para cima, mais para baixo, de longe, de perto, invertido), em que o eu-lírico é um experimentador de lentes de contato.

“É sobre qualquer coisa”, os autores afirmam, o que nos faz pensar que se trata mesmo da distorção e da busca pela correção ótica, cujo autor ganha o nome de Mr. Oculus, nas mãos de Eduard e Ramon. Essa “qualquer coisa” pode ser: o primeiro amor infantil, o entendimento (ou a falta de) das leis, as alterações na percepção cotidiana, a virtualidade das coisas materiais, o flerte com a morte, e por aí fora. Não importa o assunto. Na poesia, é sempre da percepção do eu-lírico que dependemos, e do grau ótico com que ele logra a tarefa de se distanciar o suficiente do seu autor e ser um outro dele. Surpreendente quando isso é feito a quatro mãos. Mr. Oculus é um grande unificador dos equívocos de visão que o próprio ato de olhar guarda em si. Admitir uma estética como a do EstrAbismo talvez seja uma das poucas formas de garantir que você enxerga com os seus próprios olhos, independente da distância que te puxe para baixo.

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O livro pode ser adquirido na versão e-book ou impressa pelo site da Editora Viseu.

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