Subversa

Marilia Moser e os novelos de dar nome às coisas

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Numa entrevista que publicamos com a Marillia Moser aqui na Subversa, ela disse que, quando pequena, achava que tudo tinha que ter cor. Da minha parte, eu diria que, além da cor, o que mais me chama atenção no trabalho da Marilia são os fios, essa linha única que a gente vai percorrendo até os mínimos detalhes dos personagens. Quando eu era pequena, me disseram que o que caracterizava uma assinatura bem feita era a permanência do traço no papel, que para construir a minha assinatura não podia hesitar com a caneta, tinha que ser uma linha só, desde o M até o H final. Hoje assino documentos levantando duas ou três vezes a ponta da caneta. Nunca consegui isso de dizer quem eu sou num risco só. Além de ser desobediente e não ter acreditado nessa regra, sempre achei melhor deixar umas lacunas pela vida, ou espaço livre para os nomes e as coisas entrarem. Para mim, as obras da Marilia mostram pessoas que, como eu, ainda não sabem exatamente quem são, embora assinem com tranquilidade seus nomes sem tirar por um segundo a tinta da superfície. E aí aparecem esses novelos maravilhosos, que ultrapassam a questão da identidade e parecem derreter um pouco esse problema da assinatura em forma de cabelos, curiosidade, entrelaçamentos e distâncias. São novelos que confirmam a história: pouco importa quantas vezes eu levanto a caneta da assinatura, assim como pouco importa como eu me chamo. Pra mim, a arte da Marilia é isso: um novelo de dar outro nome às coisas.

 

Morgana Rech

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