Subversa

MANCHETES DOMÉSTICAS | Leandro Costa


ALQUIMIA GOURMET

De Suspiro à Quebra – queixo, o nocaute da rotina foi, aos poucos, mastigado.

A deglutição quadrada deu o prego no caminho e a carcaça enferrujada, vez e outra, ainda arranca uns pigarros que não pegam.

 

BANDEIRA VERMELHA

Há dias não chove o chuveiro elétrico.

Aderiu à greve do sindicato das nuvens.

 

DJAVU

No Cine Terra, o longa Brasil.

De Cheia passou à Minguante e sumiu com os créditos.

Noves fora: eclipse.

 

VERANEIO

Mão de brisa e cantiga de maré.

Na rede branca, o menino é marinheiro.

Sonhar é preciso.

 

LITÍGIO

O varal viu-se vencido.

A chuva estendeu-se primeiro.

Seu liame era menor que a vara dela.

 

COACHING DOMÉSTICO

O sono estava grande.

O frio estava intenso.

Não encontrou os pares.

Os ímpares, calçou.

A diferença fez o calor.

 

RAIOS, TROVÕES E BRIGA DE VIZINHOS

No telhado digitou,

boa nova que a goteira fofocou.

Não podia perder o furo.

 

ACIDENTE NO POSTE DA RUA PROJETADA

Amor platônico também mata!

Que o diga a mariposa apaixonada

 

QUERELAS PAISAGÍSTICAS

Uma esperança justiceira , em verde ira perguntou:

“Qual é o grilo?”

E a insone cantilena acabou

 

BELEZA À PICASSO

O calor do ferro desfez as rugas da segunda pele.

As da primeira o são, pergaminho de história indelével.


Leandro Costa | Tianguá, Brasil | poeta e contista brasileiro, traz como rubrica em seus textos a presença das memórias afetivas e o cotidiano. | costafranciscoleandro@gmail.com

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