Subversa

Ma ville | Fábio Amaro


Minha cidade tem ladrilhos hidráulicos
nas calçadas
e sangue salgado vertido das mãos.

Tem horrores ancestrais e pompas
e bólidos modernos acelerando
às quatro da manhã.

Tem índios míticos à beira
d’água
e índios pobres na beira da estrada.

Tem alucinações e vértebras de granito
e brumas
e estátuas molhadas
e gárgulas.

As bocas de lobo rugem nas esquinas
caiadas
para o arrepio das casas
assoladas de tempo e musgo.

Minha cidade tem inúmeros nomes,
mas a mim responde
pelas alcunhas mais loucas.

Balbucio-as sobre o desalinho
dos telhados mofados.

Os paralelepípedos circundam o
trevo-de-quatro-folhas,
os bustos proferem a sorte.

Na noite em que me banhei
com as Nereidas
meu brilho inundou-se de céu.

O coreto tem a voz do poeta
morto gelado.

Os espíritos aplaudem no teatro
fechado.

Têm lampiões debaixo do braço
e invadem a praça
ao som da orquestra fantasma.

Danço com eles pela alegria dos
séculos,
me infundo de paz,
a liberdade é um luxo daquele que jaz.


Fábio Amaro |  Pelotas, Brasil |  fasduval@terra.com.br

 

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