Subversa

Jogo e cena | Otacílio Mota (Belém, PA, Brasil)

Ilustração: Marilia Moser

Ilustração: Marilia Moser


Peso as palavras, para saber quantas letras tem uma angústia

e se o sonho acorda o meu sangue.

Que entranhas cobrem o meu leito, esvaziam os meus versos

e decoram as minhas feridas.

Teço as falas e entrelaço as lágrimas.

Pés de fuga caminham a minha praça, esburacam a minha direção

e transmudam o meu rumo.

Dois olhos formam forças ocultas. Cada um olha os opostos.

Enquanto o sim do marasmo toca a música que atropela.

As águas curvas dos rios, alagam a minha escapada

e me perco na confusão dos caminhos.

Os sonhos secretos confundem a minha personalidade

e me deixam tonto.

Tanto lazer solitário e gozos inúteis.

Uma colcha de retalhos forma a minha bandeira

e a minha história são cláusulas perdidas.

Caço solitário a minha ceia,

e meu destino obscuro

faz de mim jogo e cena.


OTACÍLIO MOTA (1934, Belém do Pará) é delegado aposentado da Polícia Civil. Hoje escreve poesias baseadas em sua rica vivência. Elas retratam, em sua maioria, a busca de um amor feliz que ficou para trás, e tem como espaço a Ilha do Mosqueiro, onde cresceu e hoje dá vazão às dores do coração. | OSLMOTA@HOTMAIL.COM

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