Subversa

Homem | Suelio Geraldo Pereira


Abeira. Ove em aqui. Ajunte comigo. Que vou contar cê, trela de uma estória. Confiteor. Quando potó, eriçado, cavalguei encima. Travadôiros arreio no bambo, frouxo, derruba montador esperto não.

Eu Bento Moscoso, vaqueiro campeador. Tangedôiro aos arrebanhos de criação em Minas. Que estava num como passagem, pelas bandas ali do rio do Medo, no rumo da fazenda Gramiães. Arremessa gado zebu. Lote grandado, trem de umas centenas. Acheguei ao perto com uma cidade, encontro dum caminho. Era Unaí. Por conhecida minha já. Do alastrado poco. Coisa assim, ora, vila-povoado.

Prazo grande eu tinha arrepassar na entrega. Tão resolvi adentrar cidade. Compramento uma precisão das necessidades.

Nunca do esqueço mô pito em paia e fumo de rolo. Pelo nisto eu me ia. Com o pito na boca e por numa mão tição, acendedor. Achegando na praça da que tem igreja, oitão central, esbarrei seu doito.  Médico compreendido, afamado. Muito de valia na cidade.

Nele tocando prumo, neu apontou:

— E a chama? O sol está ardendo; raiando quente. Que motivo para tal?

— Sô vê doito! Me tou procurar a um homem?

— Acha. Sei. Qual!? Talvez eu o conheça e lhe posso ajudar.

Bichóco. Giril. Alguém nem si sendo. Veja Companheiro. Margiriei então com passadas. Já repasto dado dei de longe. Toscanejado.

— Qualiquer!

Solepô ainda dotor: “Áhhhh……”. Nesse ponto findou a fim prosa. Aboroou. Desiscutando ele, em ovido, o do meu pelo agora. No dito. E sem dele ter da razão. Por um acaso Homem não era? Num seja!  Tinha é do esquecido.

Avesso cê, amigo de me escuta. Pulando faísca dá fogo. Igualidade eu. Com atento cara da palavra. Mugido bufado de boi se diferencia.

De agora, deija eu ir camarada. Tenho leiva de bois pisar nesse chã mineiro. E se foi dando clarão espichado no pito.


Suelio Geraldo Pereira | Formiga, Brasil

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