Subversa

hiena presidencial | Douglas Laurindo

 

o riso abdicou do tom corpóreo

e do reflexo histórico-intuitivo.

passou a ser emitido, e só,

por aqueles em cuja posição de caça,

cor e poder acreditam.

 

o caçador que sobre duas pernas

espreita, abjeto e alheio, tantas outras

carnes das quais o presidente da savana,

de soslaio e certo enjoo, desfez-se com

pretensão de um quadro institucional novo.

 

presa preta, indígena e a tal da fêmea

o artigo 1º lhes assiste a regressão ao campo,

à mata e a casa, com direito ao silêncio

pão e água. agora quanto àquelas

presas afeminadas e trans-travestilizadas

confira, sr. juiz: o estado assegura-lhes só a calçada?

 

a resposta das hienas é sim, enquanto se desfazem,

no grande palácio, em gargalhada e escoam

baba sebenta, nojenta como o pão doado

às espécies do ecossistema

sem vida e garantia,

a respeito das quais recai

toda miséria e negligência vivida.

 

quando incumbida da limpeza nas redondezas,

a tropa carnívora sai em busca de corpos desencaixados

de toda barbárie, farsa e padrão antiético, repassados em cada abate,

entrevista e repressão diária.

senhor presidente, deve-se abordar para garantir?,

quis uma das hienas perguntar.

é claro, posto lema: torturar a fim de matar.


Douglas Laurindo | Manaus, Brasil | douglaslaurindo35@gmail.com

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