Subversa

Esvazie-me | Bárbara Frátis


O que fazer com o tempo

A não ser

Esvaziar-me de mim?

Esvaziar das preocupações do mundo

De mim

Das problemáticas da raça, da carne, de meu sexo, de meu gênero

De minha raça

De mim

Da empatia

Apenas por mim

Isolar-me

No quarto, esvaziar-lhe

De mim

Do que sou

Abarrotá-lo com o vazio do meu tempo

Arrancar-me de lá

Naquela cama não mais sou eu

Deitada, espreguiçada

Dando provocantes risadas

Esperando o tempo chegar ao fim

Resta ela

Que pouco sabe de mim

E talvez muito menos de si

Entende do tempo e do dinheiro

Controla a ambos

E também a mim

No fim eu apenas respiro

Faço minhas malas

O que me distinguia, gerava até uma certa admiração

Tornou-se surto de depressão

E ela

Apática

Que no mundo dos homens

Diferente de mim

Vê graça

Sobrevive

E a imploro

Esvazie-me

Com o tempo

A chave destes poucos metros quadrados

Deixo a ti.


Bárbara Frátis | São Paulo, Brasil | barbfratis@gmail.com

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