Subversa

Entrevista com Amanda Andrade, de “Descendo a Babilônia”


A Subversa apresenta uma entrevista com a autora Amanda Andrade, que vive em Curitiba, Paraná. Amanda escreveu um trabalho de conclusão de curso que se tornou um livro encantador: “Descendo a Babilônia”, que conta, numa narrativa de tom romanesco e jornalístico, a história do Morro da Babilônia, localizado no Leme, Rio de Janeiro. A leitura foi tão agradável e surpreendente, que valeu a pena ouvir um pouquinho mais sobre essa jornalista de vinte e três anos.

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SUBVERSA | Quando começa a ideia de escrever o livro? Você já gostava do Rio de Janeiro, né?

AMANDA
| Bom, o livro foi meu Trabalho de Conclusão de Curso (fiz jornalismo na Universidade Positivo, em Curitiba). Escolhi a profissão justamente por gostar de escrever, então, acho que soube desde o início que o meu trabalho final seria um livro. A escolha do tema se deu por uma série de fatores (que vou descrever na próxima pergunta), e a minha relação com o Rio certamente foi um deles. Eu morei lá nos anos de 2014 e 2015, enquanto estudava teatro, e me apaixonei pela cidade. Considero como o meu segundo lar.

SUB | 
Por que a Babilônia?

A |
Quando comecei a busca por um tema,  conversei com amigos e falei sobre a minha intenção de mergulhar em uma realidade diferente da minha. Foi aí que um amigo meu (daquela época do teatro) começou a me contar do período em que ele morou na Babilônia. Ele descrevia o morro como um lugar muito bonito, vivo, que atraía muitos estrangeiros. Fiquei encantada com a descrição dele e comecei a pesquisar sobre o lugar. Quando descobri toda a parte histórica e a relação com o militarismo, percebi que rendia uma boa história — a que eu queria contar no meu livro.
SUB | Os personagens do livro são vistos muito de perto na construção da narrativa. Como ficou a relação entre ficção e realidade na escrita desses personagens?

A |
Eu tinha a intenção de que a leitura fosse fluida e de que os leitores se sentissem próximos da realidade que eu descrevia e, principalmente, dos personagens. Foi por isso que emprestei alguns recursos da ficção para a minha narrativa. Eu os usei principalmente para descrever as situações, os lugares e as pessoas. Precisei fazer entrevistas mais extensas para conseguir os detalhes necessários para construir as cenas de maneira similar ao que se lê nas ficções; acho que isso pode ter ajudado a aproximar o leitor das pessoas apresentadas no livro. Vale ressaltar que a ficção se restringe ao estilo de escrita nesses momentos da narrativa; todos os relatos e situações contadas são reais.

SUB | E agora, depois de publicado, como estão suas expectativas para a circulação da obra?

A | Fiz dois lançamentos: um em Curitiba, em dezembro de 2019, e um no Rio, em fevereiro deste ano. Depois deste segundo, todos os exemplares se esgotaram. Estou pensando na possibilidade de uma segunda edição, mas ainda não há nada certo. Por enquanto, quem se interessar pelo livro pode emprestar um dos exemplares que estão disponíveis na Associação de Moradores da Babilônia.


SUB |
Você considera a questão de “gênero literário” na sua produção? Como essa consideração se infiltra na construção da sua forma de narrar o morro?

A |
Considero o livro uma grande reportagem com toques de jornalismo literário, então, acabei estudando um tanto sobre esse movimento e jornalistas-escritores como Talese, Capote e Thompson (acho muito interessante a forma como usam recursos da literatura para a descrição de cenas reais e levei isso em consideração na hora de escrever).
Além dessas inspirações literárias, também busquei me aprofundar no conceito de grande reportagem. Esse estudo me guiou tanto na hora da apuração de informações quanto na hora de escrita — quando procurei, por exemplo, intercalar o quadro geral do morro com a situação específica do personagem. Essa mistura de dados que descrevem o todo com histórias individuais que ilustram a situação geral é algo presente em muitas grandes reportagens das quais gosto bastante. Posso citar a Daniela Arbex como uma jornalista que, na minha opinião, faz isso muito bem.

Amanda Andrade responde através do e-mail andradeamanda.n@gmail.com, pelo instagram @andradeamanda3 ou pelofacebook.com/andrade.mandy.

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