Subversa

enquanto comíamos trufas e bebíamos algo qualquer | Alves Candeira


“eu sou uma boderline”, ela me disse
como alguém que só porque outros dizem
toma tudo como verdade.
“você não é uma boderline”, respondi
mesmo considerando que
eu não sou ninguém para saber sobre o assunto.
e de fato, ela não era, e eu não sabia sobre o assunto.
com alguns dias eu descobri que sua mãe é que era.
estranho,
porque eu nunca imaginei que poderia chegar perto de um
além de mim mesmo.

como se isso fosse atrapalhar alguma coisa.
na verdade sim, ou não, não sei.
geralmente as pessoas são bem mais loucas
do que esperamos
da sua mera sanidade irracional.
em casos de exceção
elas são tão loucas
ao ponto de estarem completamente equilibradas
emocionalmente.

apesar disso
ela continuou me contrariando
dizendo
“eu sou um boderline”.
e eu retrucando
“você não é”
enquanto comíamos trufas e bebíamos algo qualquer.


 Alves Candeira | Belém, Brasil |  cleytonacandeira@gmail.com

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