Subversa

Editorial | Vol. 12 | n.º 06 | junho de 2020


“Nunca me esquecerei desse acontecimento
Na vida de minhas retinas tão fatigadas
Nunca me esquecerei que no meio do caminho
Tinha uma pedra”

Carlos Drummond de Andrade

Esses dez textos estão aqui para dizer que as coisas estranhas e as coisas familiares começam a coincidir nas vidas adentradas pela literatura. Retinas fatigadas enxergam o objeto novo, nunca antes visto, mesmo que ele seja muito íntimo. Clarice Lispector viu um ovo sobre a mesa da cozinha e meditou sobre o acontecimento poético como quem vislumbrou um milagre.

A poesia elide sujeito e objeto, disse também Drummond. Curioso é que esse mesmo poeta, que desaconselhou outros poetas a escreverem versos sobre acontecimentos, seja também o autor daquele poema que ocorre diante da pedra que estava no meio do caminho, imóvel e inexpressiva.

Talvez a Subversa seja parecida com a pedra com a qual alguns poetas se deparam em suas caminhadas pela literatura. Alguns desviarão, outros desvarios. A poesia suporta a contradição, o traumático, o indizível, o sem nome, a palavra que nem chega a ser, que é só ritmo e curiosidade. A poesia foi o que aconteceu ao redor da pedra. É o que pode ocorrer também, talvez, a partir da sua leitura.

As editoras.


Clique nos textos para ler:

Suspiro | Natanael Otávio

Fantascópio | Eduard Traste

Devoção vocacional | Jean Felipe de Assis

Estigma | Glauber Costa

Coletivo | Daniela Picchiai

II. | Laura Chaloub

Plantas domésticas | Helena Costa Carvalho

Bocca del lupo | Sofia A. Carvalho

A lacrimosa | Leandro Costa

Corre | Yuri Claro

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