Subversa

Editorial Vol. 10 | n.º 6 | junho de 2019


C’est alors que tout a vacillé.

L’étranger, Albert Camus

 

O mais curioso da literatura é que a gramática escrita no papel coexiste em dois espaços: o de dentro e o de fora; o espaço limitado do eu e o que ele já não é. Dez centímetros à frente do peito de um poeta existe um ar quase compartilhado com os pulmões que dão a cadência da respiração pensante que constrói suas palavras.

Um mísero furo de alfinete na sola do pé que anda sobre o piso, e o selo vermelho passa a carimbar a caminhada. A marca que timbra o assoalho não é totalmente de dentro e nem totalmente de fora. Mas é ela que diz: alguém se feriu. A marca não é o ferimento e nem é assoalho limpo e sem dor. O verso, por sua vez, não é a sensação que se dispôs a uma expressão. Não é grafismo puro, não é um pedaço de papel escrito. O verso passa de um papel. É a prova de que uma subjetividade única existe.

A crise da literatura se expõe no mundo porque é feita de oscilações, embora seja impossível apreendê-la completamente. O piso equivocado, o furo de alfinete no pé, o grito de dor, a sensação de procurar ancoragem fora de si quando o eu está ausente: todos modos de escrever na História uma tentativa de transformação. O mundo não tem braços suficientes para abraçar a arte, porque quando a percebe, a mudança já ocorreu.

Desejamos a todos uma boa leitura.

As editoras


Ela pensava que a pessoa é obrigada a ser feliz | André Siqueira

Na toca da aranha | Adriana Vieira Lomar

O cientista que virou pinga | Breno Ricardo

Borboleta | Iris Franco

Prova de Abraão | Carlos Barth

Meus60anosdeboythatsoverbaby | Felipe Tedeschi

Baldeação entre ensaio e crônica | Felipe Eduardo Lázaro Braga

(sem título) | Gabriel Bustilho

Rendição Individual | Norberto do Vale Cardoso

Tatuagens | Valdir Cesar Conejo Júnior


Ilustração de capa e projeto gráfico: Thiago Porto

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