Subversa

Doze pares de costelas | Nina Grillo

 

Aprendi com

os médicos que

perna é

só do joelho

para baixo, e

braço é

só do cotovelo

para cima.

 

O olhar é

no horizonte,

as palmas são

para a frente e por

palma,

entende-se a

parte da frente

das mãos.

 

Há que saber a

posição do

nariz, em

relação à boca

— é superior;

a do crânio, em

relação aos cabelos

— é profunda;

a posição da língua,

em relação aos dentes.

 

A língua é interior

aos dentes,

sabiam?

 

Mesmo com a

língua

mordida,

principalmente com

os dentes

cerrados.

 

Há que

saber

olhar para

alguém, ainda

inteiro, e

saber o que

anda por

baixo.

 

*

 

Há que

saber

descrever a

dor e espetar a

agulha no

sítio certo,

de preferência

naquele,

onde é possível

auscultar o

ápice dum

pulmão

triste.

 

Há que

saber que

o ápice deste

pulmão é

mais ou menos

aqui,

onde o

dedo pousa

cansado num

segundo espaço,

 

depois de

escorregar

pescoço

abaixo, até

chegar à

poltrona, onde

assenta o

esterno,

 

depois de

deslizar ainda

mais, até um

altinho que

cresce, inevitavelmente, com a idade

 

e depois,

ainda, de

deslizar um

bocado mais

para a direita, até

encontrar um osso

que, quase como

crista, grita:

aqui.

 

Sim, é

daqui

que se contam

todas as

costelas do

mundo.


Nina Grillo | nasceu em Brasília em 1996. Enquanto no Brasil, viveu sempre no Rio de Janeiro. Mudou-se para o Porto em 2012. Poeta há muito, estudante de Medicina há pouco, dedica-se a investigar correspondências entre a palavra e tudo que é humano.  | ninasgrillo@gmail.com

 

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