Subversa

Demônio da Pinacoteca | J. P. Schwenck

 

Tombem-se diálogos

Pinel dos mesários

Fúria dos diáconos

Desordem de templários.

 

Trava essa cantiga na língua dos sapos

Canta esse problema no umbigo dos sábados

Arranque essa cabeça, sucumba aos fiapos

Garante seu recheio, tombe os mercados

 

Degrade essa pinágora, renasça do avesso

Resguarde seu direito, pinte o seu devaneio

Lance sua espada, rogue a cada tropeço

Regue seu quebranto, padeça no seio.

 

Da vida, engula o pedaço

De modo tenro e retraído, puxe o pecado

Do bico da espada, retalhe o recado

Da carne, perfure o espaço.

 

Perfume das rosas negras e melódicas pétalas

Acalentam prosódicas promessas

Acanham retóricas ácidas

Fantasmas dos rios e dos ratos.

 

Coagula-se o sangue dos benditos

Devasta um hoje como ontem, os fatos

Dos velhos novos empaletolados

Dos frios retratos pintados.

 

Que perdem suas cores

Perdem-se o algor dos licores

Escorre no ralo do segundo

Acabou-se o mundo?


J.P Schwenck | Rio de Janeiro| é um artista multimídia carioca. Em 2020, publicou “Opus”, seu primeiro livro por si próprio e lançou seu podcast experimental “Alma Mastigada”. |jpschwenckcosta@gmail.com

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