Subversa

De ouvido | Diogo Bogéa

 

Ouve o som do verdejar campestre

que ao toque afável do invisível vento

treme, embalado por este acalento

o que nos diz a vibração terrestre?

 

Ouve o som dos astros murmurantes

obedientemente percorrendo

elípticos ciclos, translações constantes

o que nos diz o universo, havendo?

 

Ouve o ritmo algorítmico dos números

zeros e uns num pulular frenético

sob a atenção de arcaicos energúmenos

não ouve a voz dos ciclos cibernéticos?

 

Ouve o som da face avermelhada

do arrepio e do olho que desvia

da brasa interna, muda e acelerada

o que o ardor amante nos diria?

 

Ouve o som errático das máquinas

estranha sinfonia barulhenta

reproduzindo dissonâncias sádicas

que tem a nos dizer a ferramenta?

 

O que? O que?

O que nos dizem afinal as coisas?

Todas as coisas dizem: Nada… Nada…

Pra quem souber ouvir o seu silêncio.

 


Diogo Bogéa | Niterói, Brasil

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