Subversa

Compasso | Lucas Luiz


1.

Falemos de cinema: os gostos

em comuns, dos romances.

Então falemos sobre romances,

de toque, de sentido;

da tua pele, relva noturna,

do sorriso espontâneo:

flor gerada em meio

ao deserto das horas.

Depois falemos da vida,

dos mistérios todos,

como quem tem afinidade

com a morte e sabe

superá-la no instante,

na permanência

do eu noutro.

 

2.

As palavras são inúteis

como todo o resto.

No compasso do tempo

os troncos apenas

arranham a existência.

Outros corpos vão

se assentando sobre

nossas cabeças:

já não somos os mesmos,

já nos fizemos múltiplos,

para agora desembocar

aqui – um no outro –

como se precedesse

ao gênesis.

 

3.

Os olhos enganam-se

na ilusão de uma

realidade objetiva.

 

Observemos:

o mesmo pôr-do-sol

o mesmo céu

as mesmas estrelas

a mesma noite

 

& agora, moldemos

as impressões: Bavcar

enquadrando o caos

à pancada – na intuição,

no resquício de perfume

contido na essência.


Lucas Luiz  | Guararema, Brasil | lucas.gma@hotmail.com

 

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