Subversa

Bocca del lupo | Sofia A. Carvalho


Tão cedo não é possível um corpo,
uma cidade, um infinito mutilado,
um pouco mais baixo,
a carne.

Tudo isto já sabes, se preferes
a simplicidade e a solidão,
sem acidular as palmas da mão.
E se a mão transparente e lúcida,
cada vez mais lúcida,
a mesma que colhe uma flor
e castiga o verso,
a que excede o corpo a leste,
aumentasse o abismo a metade,
disputando-o? Talvez
sem saída o faro das coisas
e o cair da manhã.

A luz assim a passar, com o corpo desatento,
não atormenta
e é como se tivesse acontecido.


Sofia A. Carvalho | Lisboa, Portugal | apsarasamadhi@gmail.com

Sobre o Autor

Deixe uma resposta

Seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios estão sinalizados *

Entre em Contato

contato.subversa@gmail.com
Brasil: (+21) 98116 9177
Portugal: (+351) 91861 8367