Subversa

Árvore do Esquecimento | Marcelo Martins (Porto Alegre, RS, Brasil)

Ilustração: A. Mimura


Há luz na música e na solidão vagarosa com que escrevo estes versos,

Na voz grave que pende da manhã

A procura da trégua em que eu possa desaguar

 

Estou de costas virada para o mar

O rosto

O meu rosto vermelho

Além da brisa, além da vida branda

Quando o ar se enche de pontes

Pelas quais cruzaremos o Atlântico

– E não foi sempre assim?

Partidas e exílios

Singrar mar estrangeiro

 

Não foi sempre uma despedida?

As costas queimadas reluzindo o sol

O navio tão cheio de fantasmas,

A ferida aberta no casco

Esquecimento não há

 

Não foi sempre uma travessia?

Os corpos jogados no Atlântico

Chegar aqui sem terra, sem nome

Apenas o sal dos condenados

 


MARCELO MARTINS é professor de Literatura e Língua Portuguesa. Escreve prosa e poesia, foi um dos editores da revista Verborhagia e mantém o blog DeSalinhado. Em 2015 participou da coletânea de poesia “Cantos Seletos”, publicado pela Editora Literacidade. | MARCELOSILVADOZE@GMAIL.COM

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