Subversa

Ali | Raquel Ravanini


Bafo. Língua. Fedendo o borrão de vômito no casaco dele. Mas ele sorri e canta dos Freuds afastado. Barriga pesada e sovaco encharcado de pulgas e carrapatos dos matos de seus sonhos. Rugas, curvas, engruvinhados de pele seca. Quase se rachando no sorriso e nas orelhas sujas, escuras e abafadas por aqueles que assim o querem. Olho só. Centro visual tapado por fora, palco de circo por dentro. Cadê joelhos? Pernas se foram nos cadeados jornalísticos do gelo.

— Mãeeeee…

O vento batendo no tórax é que esgota a música. As mulheres que cambaleiam nos seus braços já estão bêbadas de feridas. Constantemente de sono e águas sem efeito já.

Agora acorda de um susto com o rei e vê que as meninas que passam de mini-saia não raspam as pernas. A parede encostado é vermelha. Hoje não chove não porque já levaram embora suas muletas. Os ônibus e carros que passam rindo na rua preta não sabem que a comida dele está ali perto. No lixo que o zelador vem trazendo dos prédios.


RAQUEL RAVANINI| Belo Horizonte, Brasil | raquel@raquelravanini.com

Sobre o Autor

1 Comentário

  1. Bruno Emiliano 16 de março de 2019 em 06:31

    Adorei!

Deixe uma resposta

Seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios estão sinalizados *

Entre em Contato

contato.subversa@gmail.com
Brasil: (+21) 98116 9177
Portugal: (+351) 91861 8367