Subversa

ainda que cantemos, é miragem todo espelho | Raí Prado Morgado


“se eu quiser falar com deus tenho que aceitar a dor”

Gilberto Gil

I.

amar ainda e mais

o que se perde não

ficou pra trás se ainda

existe na memória

 

mesmo que seja só a silhueta

o barro suspenso de quem vai embora

 

II.

toda morte é em si uma festa

o fim do mundo ou o cabo da espera

como uma chuva de estrelas cadentes

em uma grande nuvem de solo água

prédio e gente finalmente devolvida ao universo

 

e o horror de saber que o mesmo

deus tem vários nomes

vários tempos

vários povos

a mesma falta de rosto


Raí Prado Morgado | São Paulo, Brasil

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