Subversa

A Lorca | Tuca Silveira

 

Perdi-me muitas vezes pelo horizonte,

com o peito cravejado por espinhos,

símbolos de amores mergulhados em agonias.

Muitas vezes perdi-me pelo horizonte,

como me perco no coração de algumas meninas.

 

Não há noite em que eu não sinta o fôlego falho,

as mãos pesadas, prontas para voar pelo papel,

tentando desafogar esse coração,

inutilmente afogado em corações alheios.

 

Porque existem sempre bêbados estúpidos,

tragando vinho em taças trincadas,

e que, apesar do sangue dos lábios pelo cristal,

vivem a teimosia que dá prazer,

mas que também os machuca.

 

Como me perco no coração de algumas meninas,

perdi-me muitas vezes pelo horizonte.

Ignorando o sol que se põe, sigo buscando

um facho de luz que me remonte.


Tuca Silveira | Rio de Janeiro, Brasil |é poeta e compositor carioca, além de engenheiro nas horas vagas | arthur.silveirasc@gmail.com

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