Subversa

A lágrima é maior que a palavra | Jessica Ziegler de Andrade

 

As palavras coladas à face da despedida,

podem muito pouco

 

As palavras tremem nas ondas prematuras

de um bafômetro

deixando cair um véu no ritmo

da relva

 

As víboras palitam os dentes a rirem

desta lágrima maldita

crescendo e descendo as margens

de um rio

 

Respiro para cair sereno e surdo no abismo

do sono

 

A lágrima é um prisma

de vidro

rolando no caldo viscoso da língua

de uma rã

 

A lágrima é maior que a palavra

 

E eu choro sem chamar por nomes a minha saudade

 

As palavras rodaram, inúteis

rolaram,

perderam-se sem fôlego

ferindo de morte, com um soco oco esse

–  mais que sincero – suspiro


Jessica Ziegler de Andrade| Rio de Janeiro, Brasil | mestranda em Literaturas de Língua Inglesa (UERJ) e advogada graduada em Direito (UNIRIO). Compõe o conselho editorial da Revista Mallarmargens. Compartilha sua escrita no perfil do instagram @jzpoesia, onde também coordena um clube do livro reunindo pessoas do Brasil e Portugal.

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