Subversa

À Espera da Poesia | Jean Felipe de Assis


Não há rotas a seguir
Pontes para se construir,
Atalhos se reduzem a quimera.

Aguarda-se, pois a espera,
Embora árdua e próspera,
Sinaliza o encanto concebível.

Silencio, voz do inaudível,
Dedos roçam intangível
Desejo de ser a mensagem

Nas frestas vivas da imagem,
Perdem-se notas em linguagem:
Utopia e anelo do pensado.

A ideia existe, aniquilado
Poesia persiste, adonisado
Em falas e textos: sub-jeito

Todavia, o lavrado, com afinco feito,
Não há de nos prover deleito,
Visto que à letra é arbitral.

Constato a desarmonia natural,
O vão entre o uno e o plural,
Tremente em temor, aceito

Visto que não há a ser feito,
A expectativa prepara o eleito:
Poeta, altar da eucaristia;

Poesia, esperada, irradia.


Jean Felipe de Assis | Rio de Janeiro, Brasil

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