Subversa

Aron | Maria Eduarda Palma (Coimbra, Portugal)

banksy-PonteNa imensidão do Universo havia um pequeno planeta chamado Terra.
Nesse mesmo Universo existia um outro pequeno planeta chamado Aron e que era desconhecido de todos.
Rezava a lenda que a Terra tinha sido criada por uma entidade superior chamada Deus, que trabalhara incansavelmente durante 6 dias e descansara apenas ao sétimo, mas de tão cansado que estava, não se apercebera que havia deixado cair uma pequena semente oculta por baixo da Terra que dera origem a Aron.
Os habitantes da Terra gostavam de estudar o Universo e até conseguiram chegar à Lua, mas nunca tiveram capacidade para descobrir aquele pequeno planeta que era habitado por seres vivos de inteligência muito superior à deles.
Contudo os habitantes de Aron atravessavam algumas dificuldades, pois uma vez que eram muito poucos, estavam a ficar quase sem crianças que mais tarde viessem a assegurar a continuação da espécie.
Observavam atentamente a Terra, admirados com o grau de destruição que por lá reinava, com guerras constantes, gente a matar-se e a usarem todos os fracos conhecimentos que tinham em prol do mal.
Então um dia tomaram uma decisão.
Enviaram alguns cientistas dos mais conceituados numa enorme nave a caminho da Terra, com a finalidade de recolher todas as crianças que haviam ficado órfãs de guerra e as levaram para Aron, a fim de anos mais tarde poderem dar continuidade à vida humana.
Fizeram isso com a maior facilidade e todas essas crianças foram acolhidas com a maior alegria.
Começaram a frequentar as aulas e a ser integradas naquele pequeno mundo de extrema beleza, onde não havia distinção de raças ou credos, onde reinava a harmonia e onde os conhecimentos adquiridos eram usados apenas para o desenvolvimento do Planeta.
Embora tivessem máquinas capazes de efetuar todos os trabalhos, não as usavam frequentemente para evitar que a preguiça se instalasse entre eles com todas as suas nefastas consequências.
E assim apenas se limitavam a arranjar água nos tempos de seca, a controlar os mares para que nunca faltasse peixe, a criar chuva quando era necessária para regar os campos.
Também usavam todos os seus conhecimentos em prol da saúde, tendo hospitais equipados com meios que permitiam curar um grande número de doenças e quando isso não era possível deixavam as pessoas partir sem sofrimento para uma outra dimensão.
Duas vezes por mês todos os habitantes tinham um dia de descanso em que podiam fazer o que quisessem enquanto as máquinas trabalhavam por eles.
Normalmente aproveitavam essa liberdade para passear pelo espaço nas suas naves e apreciar a beleza do imenso universo.
De vez em quando as crianças que haviam sido trazidas da terra e que já eram adolescentes, eram levados para um edifício isolado no alto de uma montanha e de onde, através de enormes janelas podiam avistar todo o Universo e ver o pequeno planeta de onde haviam sido trazidos.
E as crianças tornaram-se adolescentes e começaram a apaixonar-se, a casar e a ter filhos.
E Aron era um planeta feliz.
Uma tarde todos eles e as respectivas famílias que entretanto haviam formado, foram chamados para uma reunião de emergência.
Foi-lhes dito que o Planeta Terra estava a morrer.
Os rios tinham sido contaminados, os mares poluídos, os campos deixaram de dar alimentos, as árvores secaram, os animais morreram e os seus habitantes tinham acabado por desaparecer vítimas das suas próprias guerras.
Agora a Terra não passava de um planeta doente que estava em riscos de contaminar Aron, pelo que tinha de ser destruído, sob pena de envenenar tudo o que estivesse em seu redor.
Queriam que eles vissem pela última vez de onde haviam vindo e mostrar aos filhos a terra dos seus antepassados.
Emocionados deram as mãos e viram como os cientistas de Aron destruíam o seu velho planeta que se desintegrou espalhando-se em pequenas partículas que eram imediatamente absorvidas por enormes aspiradores a fim de não contaminarem todo o Universo.
Até que um dia, um jovem casal de namorados foi dar um passeio pelos campos.
Chegaram até um pomar onde as árvores estavam sempre carregadas de belos frutos prontos a comer.
Entre todas as árvores apenas havia uma em que ninguém podia tocar.
Era uma enorme macieira que era considerada o símbolo do mal.
Mas o rapaz apaixonado, como mesmo em Aron o amor podia ser cego, não resistiu e desobedecendo às ordens colheu a mais bela maçã da árvore para oferecer à sua amada.
E ela aceitou.


Maria Eduarda Palma (Abrantes, Portugal) atualmente vive em Coimbra, se apaixonou pela leitura e pela escrita na biblioteca do seu avô e possui diversos contos publicados em coletânea.

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