Subversa
  • Nada falo aos peixes | Fabíola Weykamp

    não falo da saudade para os peixes os peixes não se importam com o passado não absorvem a melancolia das ostras nem a melancolia do homem com os pés pálidos os dedos murchos com unhas compridas na beira da praia nada falo aos peixes eles definitivamente não têm tempo para isso estão ocupados de mais…

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  • Alma Sebosa | Fabíola Weykamp

    (…) “Nos mesmos rios estamos e não estamos Esse é o barco que ninguém conduz” Dan Nakagawa ser viúva de alma penada viva transeunte pelas mesmas vias amigos espalhados em cada canto em cada porta e esquina que se cruze: o rosto familiar fantasmagórico é de um mau gosto trágico, sem açúcar incômodo como uma…

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  • Origem | Fabíola Weykamp

    1. desenhos uniformes: o grafite descendo e subindo linhas que se encontram em fragmentos de inabilidade espanto ou afeto 2. desenhos de ventre no caderno uma criança que parte o ventre vazio outra vez 3. terá nascido para fora ou terá nascido para dentro? onde nasce quando tudo começa? 4. onde esteve quando partiu levando…

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  • As mãos soltas de um poema honesto | Fabíola Waykamp

    Deixo sentir o sangue quente correr pelas veias todo corpo aquece Um calor demorado um calor de longe um calor de há muito  Deixo lembrar de as sensações esquecediças no corpo tenso na pele que só água do banho podia molhar Nem mesmo a chuva tinha passagem liberada para respingar na pele e escorrer pela…

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  • dizer nomes e nomear chuvas | Fabíola Weykamp

    talvez não seja tarde para dizer que a chuva que caía sobre teu rosto naquela tarde que mais parecia noite fosse o que hoje sabemos sem dizer porque não importa o hiato que exista entre aquela chuva e a chuva que caiu em pelotas hoje à tarde sem dizer ao que não se diz e…

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  • Odes mínimas, do amor | Fabíola Weykamp

    Para Hilda Hilst   tu me conheces a verdade pois a minha verdade se revela na tua boca não tenho pressa nem sono ou sonhos sou pura na existência quando me olhas quando me tens em mim, inteira não me anulo ou pecado parecido sou toda existência & liberdade ilumino-me com o amor que de…

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  • O trabalho das máquinas | Fabíola Weykamp

    Cultuo o hábito de ligar a máquina de lavar roupas às 21h   o silêncio no condomínio perde a vez para as roupas na máquina modo molho longo   não poupo o tempo de espera não me aborreço com a espera das roupas em molho demorado das roupas limpas como devem   aborrecer-me-ia lavagem rápida:…

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  • Dos desejos que não saram | Fabíola Weykamp

    para Sérgio M. nutra-me como a uma criança leve-me à boca o alimento sagrado com sua doce destreza dos convencimentos umedeça-me os lábios com água pura e embale-me o corpo com sua cantiga de ninar dos dedos teus que compõem amor no violão hereditário aqueça-me os pés e as mãos com sua melodia sempre inédita…

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  • Notícias ligeiras em noites abafadas na capital | Fabíola Weykamp

    como sorrir diante do não-motivo as coisas todas exaustas as pessoas todas exaustas tudo em volta fedendo à exaustão? como sorrir o sorriso calculado o sorriso espontâneo com a boca leve de lábios coloridos os dentes fartos que se mostram desinibidos e despreocupados? que olhos precisa-se ter para ver o sorriso que olhos preciso não…

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  • brilha quanto dura, arde quanto queima | Fabíola Weykamp

    marcou para sempre sem cuidado um sono leve acorda de mais à noite agitado, os pés fora da cama os braços pendendo mistérios (de outros abraços) marcou para sempre a febre que não teve o corpo pesado marcando o colchão um lado só um corpo só um amor sem cuidado vazio de promessas deixando pago…

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